segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

GUSTAVO GUTIERREZ MERINO (1928- )

Gustavo Gutiérrez Merino nasceu em Lima, Peru, em 8 de junho de 1928. É é um teólogo peruano e sacerdote dominicano, considerado por muitos como o fundador da Teologia da Libertação.

Sofreu de
osteomielite na infância e adolescência, permaneceu em cadeira de rodas dos doze aos dezoito anos. Ao recuperar a mobilidade, estudou medicina e letras na Universidad Nacional Mayor de San Marcos. Foi militante da Ação Católica, o que o motivou a aprofundar os estudos teológicos. Decidido pelo sacerdócio, entrou para o seminário em Santiago do Chile. Estudou Filosofia e Psicologia na Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Seus estudos de Teologia foram efetuados na Universidade Católica de Lyon, França, na Universidade Gregoriana de Roma e no Instituto Católico de Paris, chegando ao grau de doutor.

Foi ordenado sacerdote em 1959. Gutierrez, na década de 60, foi o primeiro a falar na igreja dos pobres e, na década seguinte, elaborou o conceito teológico propriamente dito. É considerado por muitos o pioneiro na sistematização da
Teologia da Libertação na década de 70, quando lançou o livro Teologia da Libertação. Na obra Teologia da Libertação, focaliza que o nosso Deus é o Deus da Aliança com os marginalizados e desclassificados. No livro, Gutierrez afirma que o cristianismo da misericórdia não devia ser apenas da assistência pela esmola, mas do compromisso com a superação das desigualdades sociais. Dessa forma, a Teologia da Libertação oferecia uma nova espiritualidade para o engajamento paroquial, comunitário e religioso. Isso se manifestou num "novo jeito de ser Igreja", que se concretizou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Nos anos 80 sofreu processo da Cúria Romana, que acusava sua obra de reduzir a fé à política.
Gutiérrez cria, no fim dos anos 60, um método teológico desde e para a América Latina pobre e oprimida. Deu a essa reflexão da fé a partir do reverso da história o nome de Teologia da Libertação. Seu raio de projeção tem sido verdadeiramente impressionante: desde a teologia negra, índia, asiática, feminista, ecológica e das religiões até a teologia judaica e palestina da libertação. Gustavo é o primeiro latino-americano a se situar de igual para igual entre os grandes criadores dentro da história da teologia.

Em 1998 ingressou como noviço na
Ordem dos Pregadores.
Possui 23 títulos de
Doutor Honoris Causa outorgados por universidades de diversos países: 5 no Peru, Argentina, Holanda, Suiça, dois na Alemanha, dez nos Estados Unidos, dois no Canadá e também na Escócia, obtidos entre 1979 e 2006. Ganhou o Prémio Príncipe das Astúrias em 2003 na Categoria Comunicação e Humanidades.

Atualmente Gutierrez vive e trabalha entre os pobres em Lima. Em seus livros, Gutiérrez explica sua visão da pobreza cristã, como um ato de amor e solidariedade com os pobres e um protesto libertador contra a pobreza. Gutiérrez continua tendo responsabilidade pastoral na Igreja do Cristo Redentor em Rimac. Gutiérrez é também professor de teologia na Pontifícia Universidade Católica de Lima.

No movimento da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez ocupa um lugar em destaque. A ele deve-se a primeira obra sistemática de reflexão crítica a partir da práxis histórica da libertação em confronto com a palavra de Deus, acolhida e vivenciada na fé. Em sua ótica, a teologia é representada com um ato segundo, que supõe como ato primeiro não uma práxis qualquer, mas a práxis da fé, isto é, uma espiritualidade caracterizada pelo compromisso com o outro - que no contexto latino-americano é o empobrecido - e, então, pela luta em prol da justiça que o Deus da vida não só comanda mas compartilha. Trata-se de uma teologia "do avesso da história", que se deixa provocar pela indentificação de Cristo com os oprimidos e leva os cristãos a "descer do inferno deste mundo", e a "comungar com a miséria, com a injustiça, com as lutas e com as esperanças dos condenados da Terra, porque deles é o Reino dos Céus". Nesse sentido, o objetivo da teologia é "apologético" no significado mais elevado: dar testemunho do Deus da vida que escuta o grito do pobre.

Obras:

- Teologia da libertação
- O Deus da vida
- A força histórica dos pobres
- Beber no próprio poço - Itinerário espiritual de um povo.

PENSAMENTOS DE GUSTAVO GUTIERREZ

"Vivemos numa época dominada pela economia liberal, ou, se se preferir, neoliberal. O mercado irrestrito, chamado a regular-se com as suas próprias forças, passa a ser o princípio, quase absoluto, da vida económica. O célebre e clássico "deixar fazer" do início da economia liberal postula hoje de forma universal – pelo menos na teoria – que toda a intervenção do poder político, mesmo para atender a necessidades sociais, prejudica o crescimento económico e redunda em prejuízo geral. Por isso, se se apresentam dificuldades nos rumos económicos, a única solução é mais mercado."

"Não há duas histórias, uma da filiação e outra da fraternidade, uma em que nos fazemos filhos de Deus e outra na qual nos tornamos irmãos entre nós. É isso o que o termo ´libertação` quer destacar".

"Na raiz de nossa existência pessoal e comunitária se acha o dom da autocomunicação de Deus, a graça de sua amizade enche de gratuidade a nossa vida. Faz-nos ver como um dom nossos encontros com os outros homens, nossos afetos, tudo o que acontece".

"Assim, desprendidos de nós mesmos, chegamos ao outro libertos de toda tendência de impormos uma vontade que lhe seja alheia, respeitosos de sua própria personalidade, de suas necessidades e de suas aspirações. Dado que o próximo é o caminho para chegarmos a Deus, a relação com Deus será a condição necessária para o encontro, para a verdadeira comunhão com o outro".

"A verdade é que um cristianismo vivido no compromisso com o processo libertador, apresenta problemas próprios que não se podem descurar e encontra escolhos que importa superar. Para muitos, o encontro com o Senhor, nessas condições pode desaparecer em benefício do que ele próprio suscita e alimenta: o amor do homem. Amor que desconhecerá, então, toda a plenitude que encerra".

"Neste contexto, a teologia será uma reflexão crítica a partir de e a respeito da práxis histórica diante da palavra do Senhor acolhida e vivida na fé".

"Mais do que o pai da Teologia da Libertação, eu gostaria de ser conhecido como um daqueles que contribuíram para libertação da Teologia".

"Senti-me muito tocado pela fundamentação do júri que outorgou o prêmio, por sua referência ao mundo pobre e à América Latina, aos quais escolhi dedicar minha vida. Pode ser que a Teologia da Libertação não esteja mais atual. Infelizmente, porém, desgraçadamente, permanece atual a realidade da pobreza que suscitou o seu nascimento".

"Conversão significa transformação radical de nós mesmos, significa pensar, sentir e viver como Cristo presente no homem despojado e alienado."

"O discurso sobre Deus vem depois do silêncio da oração e do compromisso."

"Precisamos conceber a história como um processo de libertação de homens e mulheres no qual este vão assumindo conscientemente seu próprio destino..."

"A fé não é coisa que se conserve num cofre-forte para a proteger, é vida que se exprime no amor e na dedicação aos outros. Nos Evangelhos ter medo equivale a não ter fé... A parábola dos talentos ensina-nos que uma vida cristã, baseada não na formalidade, na auto-proteção e no medo, mas na gratuidade, na coragem e no sentido do outro, constitui a alegria do Senhor. E a nossa".

"Para mim fazer teologia é escrever uma carta de amor ao Deus em que eu creio, ao povo ao que pertenço e a Igreja da que formo parte"

"Além de qualquer dúvida, a vida do pobre é marcada pela fome e pela exploração, cuidado médico inadequado, ausência de habitação digna, dificuldade em alcançar alguma educação, salários injustos e desemprego, lutas por seus direitos e também repressão. Ma não é tudo. Ser pobre é também uma forma de sentir, conhecer, pensar, fazer amigos, amar, crer, sofrer, celebrar e rezar. O pobre constitui um mundo em si mesmo. Compromisso com o pobre significa entrar e, por vezes permanecer neste universo, com uma consciência muito mais clara; significa ser um dos seus habitantes, olhando para ele como local de residência e não só de trabalho. Não significa ir a este mundo pontualmente, para testemunhar o Evangelho, mas antes, dele emergir, cada manhã, com o propósito de proclamar as boas novas a todo ser humano… Vemos com clareza crescente que se exige uma imensa dose de humildade para que as pessoas se comprometam com os pobres dos nossos dias".

"Uma espiritualidade é uma forma concreta, movida pelo Espírito, de viver o Evangelho. Maneira precisa de viver 'diante do Senhor' em solidariedade com todos os homens, 'com o Senhor' e diante dos homens"

"Aos países pobres não interessa repetir o modelo dos países ricos, entre outras coisas, porque estão cada vez mais convencidos de que a situação daqueles é fruto da injustiça, da coerção. Para eles, trata-se de superar, é certo, as limitações materiais, a miséria, mas para chegar a um tipo de sociedade que seja mais humana".

"Uma teologia que não se situe no contexto de uma experiência de fé corre o risco de converter-se numa espécie de metafísica religiosa, numa roda que gira no ar sem mover o carro"

"A espiritualidade é uma aventura comunitária, passo de um povo que percorre o próprio caminho, em seguimento a Jesus Cristo, através da solidão e das ameaças do deserto. Experiência espiritual que é o poço do qual teremos de beber. Ou, quem sabe, na América Latina de hoje, o nosso cálice, promessa da ressurreição".

"Situar-se na perspectiva do Reino é participar da luta pela libertação dos homens oprimidos por outros homens. Isto é o que começaram a viver muitos cristãos, ao comprometer-se com o processo revolucionário latino-americano. Se esta opção parece afastá-los da comunidade cristã, é porque muitos nela, empenhados em domesticar a boa-nova, olham-nos como membros agressivos e até perigosos"

"Uma espiritualidade da libertação deve estar impregnada de vivência de gratuidade. A comunhão com o Senhor e com todos os homens, é antes de tudo, um dom. Daí a universalidade e a radicalidade da libertação trazida por Ele"

"Mais do que teologias, os testemunhos vividos é que assinalarão e já estão assinalando o rumo de uma espiritualidade da libertação".

5 comentários:

erick sávio disse...

Paz e Bem

seu blog já foi adicionado em nossa mais nova lista de blogs católicos, le informamos que a cada atualização seu blog irá estar sendo divulgado mais amplamente.

agora só le pedimos um favor santa pessoa, para nos ajudar a divulgar outros blogs e até mesmo o seu, pedimos que você coloque o link de nosso site em seu blog, assim com todos os membros do site colocando o link do site nos blogs iremos conseguir alcançar nossos objetivos que é de divulgar todos os blogs católicos da web. MUITISSIMO OBRIGADO POR VOCÊ TER ACEITADO PARTICIPAR DE NOSSO PROJETO.

link: www.uniaocatolica.blogspot.com/

paz e bem, fica com DEUS


informamos também que nós estamos trabalhando no projeto de modernização de blogs, então se você desejar modernizar seu blog e deixa-lo com uma aparéncia mais bela e leve, você pode nos solicitar e nós faremos isso para você, e você irá escolher o modelo novo de seu blog a cor e outras alterações que você deseje fazer.

Canobel disse...

Excelente texto sobre Gustavo Gutierrez...

Alias, todos os que são postados aqui são muito bons... belo blog!

Ja linkei o seu blog la no meu...

Espero que essa parceria renda muitas visitas aos nossos blogs, para a divulgação de boas mensagens que procuramos transmitir.

Maria - Portugal disse...

Então quando teremos mais teólogos do Deus vivo que se manifesta nos nossos dias ??

MCM(Movimento Contra a Miséria) disse...

Boa tarde

Escrevo para informar que somos de um movimento de nome MCM - Movimento Contra a Miséria www.naoamiseria.blogspot.com e temos também o blog do nosso projeto www.projetoitaqua.blogspot.com
Contamos com ações e textos cedidos pelos autores como Frei Betto, Leonardo Boff, Jung Mo Sung e Robinson Cavalcantti alem dos textos dos participantes do movimento.
Contamos com um encontro de reflexão sobre miséria e desigualdade o primeiro levou por tema espiritualidade numa sociedade consumista e contou com os palestrantes Frei Betto e Ariovaldo Ramos, o segundo já esta marcado para novembro e contará com Jung Mo Sung e Milton Shwantes e o tema Teologia e Política.
Gostariamos de ajuda na divulgação e estamos abertos para visitas e conversas.

Agradecemos a atenção.

Paulo Escobar.

AntonioS disse...

Padre Paulo, Deus no Antigo Testamento já sinalizava com a liberdade (moisés) e Cristo fez essa opção, amor caridade (a lei os profetas está resumidos nisto " amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo" o pobre é o Cristo, temos que ver Cristo no nosso irmão e este irmão é pobre, Cristo não fala no pobre? só no rico? Por que Deus não pode se revelar aos pobre se Cristo fez isso? ele se fez pobre e a Igreja sempre defendeu os pobres mesmo na idade média, quando era, e é hoje condenada por ter patrimônios e tantas outras atitudes desagradáveis,tanto que o capitalismo só veio florescer com o surgimento do protestantismo, você não precisa se esforçar para explicar o que não se explica, pelo que vi em sua aula sobre a Teologia da Libertação e o pobre como lugar teológico, foi tentar negar com o seu achismo e seus devaneios, alguns principio da própria Igreja e do próprio Cristo. O que você precisa é tirar o marxismo da Teologia da Libertação, não precisa nada disso,seu comentário está bastante vazio e confuso, por que tenta negar o obvio, Cristo se fez pobre por isso foi morto se fosse rico todo o processo seria outro, você faz o mesmo cometário racista da TL em relação a RCC quando dizia que essa era alienada, estamos em outro momento e contexto histórico, parece que você parou no tempo, a TL hoje tem outra visão, que diga Bento XVII e Para Francisco. Muitos dos seus comentários são excelentes exclarecedores, mas esse sobre a TL não tem fundamento, nem parece que estudou Teologia, para os argumentos protestante se referindo ao catolicismo, sem lógica, vazio e desmerecedores, está sem nexo, perdoe-me Padre em afirmar tudo isso, conheço as radicalidade dos dois movimentos dentro da Igreja (Zelótas contra essênios) seria justo em nossos dias?. (Cristo rejeitou isso lembra?) se meu reino fosse desse mundo enviaria anjos para me defender, repreendeu Pedro em várias ocasiões por ter pensamentos parecidos com os dos Zelótas, mas não aceitou os fariseus que achavam que somente suas orações eram ouvidas por Deus. Quem não é contra mim é a meu favor Dizia ele.